Indomável Condessa
Antonella Andrade, 17, Gaúcha. O importante, o irreversível, o definitivo, o claro nessa história toda é que eu gosto muito de ti. Muito mesmo. Não adoro nem venero, mas gosto na medida sadia e humana em que uma pessoa pode gostar de outra, O resto é detalhe. Caio Fernando Abreu. online:
Gosto disso, gosto de você. Gosto dessa relação que começamos a construir. Gosto desse teu jeito meigo e protetor de ser. Finja que não leu essa parte. Mas não gosto de tudo em você. você me irrita e sabe disso. Consegue me tirar do sério com essas suas sms de “dá abraço”. Me irrita essa mania de me fazer perguntas só pra eu responder coisas fofas e confortar o teu ego. Eu não vou te pedir pra ficar acordado comigo, só porque você me disse que vai dormir. E essas coisas desse tipo. Mas volto a dizer, gosto de você. Da sua companhia, de passar o dia falando com você. Sou uma pessoa melhor, ou estou me tornando. E você é o ingrediente essencial desse processo. Te peço, não se afaste de mim. Não me prive de você.

Querido John  

Você pode me abraçar agora se quiser. Por que eu quero. Também pode dizer baixinho no meu ouvido que sou sua. Pois por esse momento eu sou. Mas não vá, não deixe que tudo se torne vontade. Não deixe seu perfume se absorver pelo ar, quero-o aqui, perto de mim, grudado na minha roupa, em toda parte do meu corpo. Serei sua se quiser, mas não só por agora, ou daqui a algumas horas. Serei sua por mais dias, anos e vidas. Por vontade, amor e toda certeza que tenho em mim.Te digo que vontade é o que não falta. Vontade, querer, poder… É o que eu quero agora e acredito que até quando puder. Seu cheiro ficou em mim, levo todos os dias comigo. Seu sorriso tão lindo e tímido. Seu olhar encantador. Nesse dia frio: a pedida é você. Esquente-me, não ligo. Garanto-te que você me esquentaria melhor que esse cobertor que tenho agora. Derreta esse gelo que nos divide. Invada meus pensamentos mais vezes. Seja meu como sou sua. Faça-me rir das coisas mais banais, deixe o vento bater em nossos rostos, entrelace a suas mãos nas minhas e me faça querer ter você mais perto que isso. Me dê o abraço mais aconchegante e o beijo que jamais sequer alguém ousara de me dar. Tento manter meus pés fixos no chão, mas é impossível… Você me faz querer voar, mas tenho medo de altura. Continuarei aqui debaixo a observar enquanto você some entre as nuvens, trazendo um arco-íris no céu, onde meu tesouro se abriga. Onde você está.

(d-e-s-a-t-a-r)

Teu riso abafado na almofada do sofá da sua casa indicava que seus pais estavam dormindo e de maneira alguma, eles deveriam acordar. Víamos o filme com o volume mais baixo possível para não acordar os teus ‘velhos’. Nosso romance bandido chegava a ser engraçado. Eu ficava escondido nas escadas e quando o relógio marcava 22:30 eu saía do meu esconderijo e fazia a luz do corredor acender. Você via pela fresta da porta que a luz do corredor estava acesa e cuidadosamente, abria a porta. Tu recepcionava-me com um beijo abafado - sem fazer barulho para seus pais não escutarem nada. Você sempre me amedrontou com a história de seu pai espantar seus ex-namorados com uma espingarda toda a vez que ele acordava e via um garoto com você na sala, mesmo que fosse um amigo qualquer. Eu fazia cócegas em ti e você enfiava uma almofada no rosto para abafar o riso. Nosso amor clandestino sempre atravessou fronteiras. Mesmo que fosse a da sala para o teu quarto. Aquela era uma área de guerra muito perigosa porque o risco do teu pai acordar sempre foi grande, e lá era muito maior. Lembro-me do dia em que seu pai acordou e eu entrei dentro do seu guarda roupa. Quando ele voltou para o quarto dele, saí de dentro daquele lugar apertado e nos beijamos até ficarmos sem fôlego algum. Foram longos meses repetindo esse ritual de brincar de esconde-esconde com o teu pai. A última vez que fui te visitar, teu pai acordou e ficou extremamente nervoso contigo. Ao invés de me bater, ele deu um tapa em seu rosto e eu revidei com um soco na barriga do seu ‘velho’. Depois disso, nunca mais nos vimos. Não sei o que aconteceu com você, amor. Espero que esteja bem. Espero que esteja feliz. Ah, como eu sinto falta daquele amor bandido!

— Amor Bandido - Arthur Macedo  

Apaixone-se por alguém que te curte, que te espere, que te compreenda mesmo na loucura; por alguém que te ajude, que te guie, que seja teu apoio, tua esperança. Apaixone-se por alguém que volte para conversar com você depois de uma briga, depois do desencontro, por alguém que caminhe junto a ti, que seja teu companheiro. Apaixone-se por alguém que sente sua falta e que queira estar com você. Não apaixone-se apenas por um corpo ou por um rosto; ou pela idéia de estar apaixonado.

— Tati Bernardi  

Somos ternura,
compreensão,
confiança,
dedicação,
fidelidade,
emoção.
Enfim…
somos um,
do outro !

Luciana Soares, Arte Poética.  

Se era amor? Não era. Era outra coisa. Restou uma dor profunda, mas poética. Estou cega, ou quase isso: tenho uma visão embaraçada do que aconteceu. É algo que estimula minha autocomiseração. Uma inexistência que machucava, mas ninguém morreu. É um velório sem defunto. Eu era daquele homem, ele era meu, e não era amor, então era o que? Dizem que as pessoas se apaixonam pela sensação de estar amando, e não pelo amado. É uma possibilidade. Eu estava feliz, eu estava no compasso dos dias e dos fatos. Eu estava plena e estava convicta. Estava tranquila e estava sem planos. Estava bem sintonizada. E de um dia para o outro estava sozinha, estava antiga, escrava, pequena. Parece o final de um amor, mas não era amor. Era algo recém-nascido em mim, ainda não batizado. E quando acabou, foi como se todas as janelas tivessem se fechado às três da tarde num dia de sol. Foi como se a praia ficasse vazia. Foi como um programa de televisão que sai do ar e ninguém desliga o aparelho, fica ali o barulho a madrugada inteira, o chiado, a falta de imagem, uma luz incômoda no escuro. Foi como estar isolada num país asiático, onde ninguém fala sua língua, onde ninguém o enxerga. Nunca me senti tão desamparada no meu desconhecimento. Quem pode explicar o que me acontece dentro? Eu tenho que responde às minhas próprias perguntas. Eu tenho que ser serena para me aplacar minha própria demência. E tenho que ser discreta para me receber em confiança. E tenho que ser lógica para entender minha própria confusão. Ser ao mesmo tempo o veneno e o antídoto. Se não era amor, Lopes, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não sabe se vai ser antes ou depois de se chocar com o solo. Eu bati a 200Km/h e estou voltando a pé pra casa, avariada. Eu sei, não precisa me dizer outra vez. Era uma diversão, uma paixonite, um jogo entre adultos. Talvez seja este o ponto. Talvez eu não seja adulta suficiente para brincar tão longe do meu pátio, do meu quarto, das minhas bonecas. Onde é que eu estava com a cabeça, de acreditar em contos de fadas, de achar que a gente manda no que sente e que bastaria apertar o botão e as luzes apagariam e eu retornaria minha vida satisfatória, sem sequelas, sem registro de ocorrência? Eu nunca amei aquele cara. Eu tenho certeza que não. Eu amei a mim mesma naquela verdade inventada. Não era amor, era uma sorte. Não era amor, era uma travessura. Não era amor, era sacanagem. Não era amor, eram dois travessos. Não era amor, eram dois celulares desligados. Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo. Não era amor, era melhor.

Martha Medeiros, Divã

Seu olhar – vitrine dos meus melhores dias. Fica, eu digo. Me ajuda a matar o tempo até a luz voltar. Fica e come da minha comida. Pelo menos até a chuva acabar de cair. Deu agora na televisão que a cidade está debaixo d’água, mandaram ninguém se mexer. Consegue? Tenta, vai. Empresto uma toalha, uma camiseta G, um par de meias e a minha boca quente. Você já bateu recorde de permanência, de toda maneira. Vamos lá, fica, na minha geladeira tem o resto de um frango de padaria, a gente abre um vinho bom. Juro fazer rolinhos na sua franja até você pegar no sono.

Aí você gasta um de seus preciosos sins e deixa pra depois mais um daqueles seus adeus, que, aliás, tem de sobra na sua bolsa de pano, sempre à mão, para casos de emergência. E eu me pergunto: você vai ficar porque está chovendo, ou está chovendo porque você vai ficar? Tanto faz. Se eu bem te conheço, basta me despedir usando a tática do me-liga-qualquer-coisa. Foi assim, desse jeito, que até hoje nenhum dos seus adeus durou para sempre.

Gabito Nunes 

E com o tempo, aprendi a me importar menos pra viver mais.

Aghata Paredes (via desejo-lhe)

Anonymous : Você é o que do Augusto Rosati?

“Rosatti”

sou a melhor amiga dele. =)

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